Qual é o Limite da Responsabilidade Civil dos Estabelecimentos Hospitalares em Casos de Previsibilidade?
No cenário jurídico brasileiro, a responsabilidade civil dos estabelecimentos hospitalares apresenta nuances que têm gerado contendas e questionamentos entre operadores do direito. Com a crescente judicialização da saúde, torna-se imperativo discutir: até que ponto os hospitais podem ser responsabilizados por danos causados a pacientes, considerando as limitações da previsibilidade dos eventos adversos?
Aspectos Jurídicos da Responsabilidade Civil Hospitalar
De acordo com o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), a responsabilidade do fornecedor de serviços, incluídos os hospitais, é de natureza objetiva, ou seja, independe da demonstração de culpa. Esta diretriz implica que os estabelecimentos de saúde devem garantir a segurança e a efetividade dos serviços prestados, respondendo pelos danos decorrentes de falhas na prestação desses serviços.
No entanto, a jurisprudência tem enfatizado a importância da previsibilidade e da natureza do risco. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem estabelecido que a responsabilidade exige a demonstração de que o dano era previsível e que as medidas de segurança eram viáveis e razoáveis.
Previsibilidade e suas Implicações Práticas
A questão da previsibilidade é central na análise da responsabilidade civil hospitalar. Situações em que o evento danoso é imprevisível ou em que os hospitais adotaram todas as medidas de segurança necessárias tendem a limitar a responsabilidade. Assim, um ponto a ser considerado pelos advogados é a necessidade de avaliar a conduta do profissional de saúde e as condições em que o atendimento foi prestado.
- Casos de Falha Técnica: Quando a tecnologia falha, mas não havia previsão de tal falha, a responsabilidade pode ser mitigada.
- Tratamentos Experimental: Em casos de tratamentos não consolidados, deve-se analisar se a informação sobre os riscos foi adequadamente fornecida ao paciente.
- Condições do Paciente: A responsabilidade pode ser limitada se o estado pré-existente do paciente contribuiu para o dano.
Jurisprudência Relevante
A análise da jurisprudência é fundamental para a formação de estratégias de defesa ou acusação. O STJ, em diversos julgados, apontou que o não-avisar sobre riscos previsíveis pode caracterizar falha na prestação do serviço, conforme observado no REsp 1.445.270, que reforça a ideia de que a comunicação dos riscos é essencial para que o paciente possa tomar decisões informadas.
Além disso, o Tema 1.015 do STF reforça que a responsabilidade civil deve contemplar a análise do contexto em que o dano ocorreu, ressaltando o dever de cautela e a previsibilidade dos riscos inerentes ao tratamento aplicado.
Implicações para a Prática Profissional
Para os advogados que atuam na esfera da responsabilidade civil, é crucial entender os limites da responsabilidade hospitalar. A coleta de provas, a análise das condições de prestação do serviço e a adequada exibição de documentos que comprovem a viabilidade da previsibilidade do dano são estratégias fundamentais para a proteção dos interesses de seus clientes.
Assim, a recomendação é que os profissionais realizem um levantamento minucioso sobre a prática hospitalar, considerando inclusive as práticas adotadas em instituições semelhantes e as normativas regulatórias pertinentes.
Portanto, diante dos desafios impostos pela complexidade da saúde e da responsabilização, o advogado que busca se especializar nesse campo deve estar atualizado quanto à legislação vigente e às principais decisões judiciais que moldam o entendimento sobre a responsabilidade civil hospitalar.
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Autor: Ana Clara Macedo