STF firma entendimento histórico sobre perícias em celulares
Julgamento impacta admissibilidade de provas em ações penais
O Supremo Tribunal Federal (STF) firmou, em sessão plenária, entendimento paradigmático acerca da legalidade da utilização de provas extraídas de telefone celular encontrado em cena de crime, sem autorização judicial imediata. A tese fixada trata diretamente da aplicação da garantia constitucional da inviolabilidade das comunicações (art. 5º, XII da Constituição da República) e da admissibilidade de provas conforme a legalidade e proporcionalidade previstas no Código de Processo Penal.
O caso teve por origem um recurso extraordinário interposto pelo Ministério Público contra decisão que desconsiderara dados obtidos de aparelho celular apreendido no local dos fatos. O julgamento, realizado sob a sistemática de repercussão geral (Tema 1204), vincula o Judiciário em decisões análogas, conforme o art. 927 do CPC.
Fundamentos da decisão e balizas constitucionais
Na decisão, o STF assentou que é válida a extração de dados de celular coletado no local do crime, desde que atendidos os requisitos da proporcionalidade e necessidade. A tese fixada permite, em determinadas hipóteses, a utilização da prova sem mandado, caso haja risco concreto de perecimento da prova, como já previsto analogamente no art. 6º, inciso II do Código de Processo Penal.
O voto condutor do Ministro Alexandre de Moraes destacou que a Constituição não veda a mitigação de direitos fundamentais quando justificada por interesse público superior, cabendo ao magistrado analisar o caso concreto sob as balizas da razoabilidade.
Conflito aparente de normas e aplicação da proporcionalidade
O julgamento serve de importante diretriz hermenêutica para resolver o conflito entre direito à intimidade (art. 5º, X e XII) e função investigativa do Estado (art. 144, CF). O critério adotado foi o da ponderação de princípios, sendo a medida invasiva permitida quando imprescindível para a persecução penal.
Tal posicionamento, inclusive, é compatível com orientações do STJ, como no HC 598.051/SP, que permite a mitigação da reserva jurisdicional se houver flagrante delito ou risco à integridade da prova.
Implicações práticas para a advocacia criminal
A tese do STF impacta diretamente os limites de atuação defensiva nos momentos iniciais dos processos criminais, podendo alterar a estratégia de impugnação das provas colhidas. É essencial que os advogados observem:
- Se houve justificativa concreta para a ausência de ordem judicial;
- Se os dados extraídos foram limitados à necessidade investigativa;
- Se houve excesso ou extrapolação do fim investigativo;
- Se a cadeia de custódia foi regularmente documentada (Lei 13.964/2019).
A decisão reforça a importância de atuação técnica e estratégica para evitar o uso de provas potencialmente ilícitas e suscetíveis a nulidade, conforme os arts. 157 e 5º, LVI da Constituição.
Conclusão
O precedente do STF representa um marco na jurisprudência penal brasileira, estabelecendo diretrizes mais objetivas quanto à validade de provas digitais colhidas em situações de urgência. Embora permita certa maleabilidade, exige do Judiciário e da defesa rigor técnico na análise da legalidade de cada procedimento.
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Por Memória Forense




