Oscilações da Jurisprudência no STF Reacendem Debate sobre o Foro Privilegiado
A recente decisão da ministra Cármen Lúcia de remeter ao juízo de origem um inquérito envolvendo o deputado federal Lindbergh Farias suscita nova onda de debates em torno da instabilidade jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a limitação do foro por prerrogativa de função, mais conhecido como foro privilegiado.
Interpretação Volátil da Competência Originária
Desde a paradigmática decisão no Inquérito 937, de relatoria do ministro Luís Roberto Barroso, o Supremo consolidou entendimento acerca da limitação do foro apenas a crimes praticados no exercício do cargo e em razão deste. Todavia, a aplicação desse entendimento vem variando entre os ministros, o que compromete a segurança jurídica.
O Precedente do Inq. 937 e Seus Desdobramentos
Em 2018, ao julgar o Inq. 937, o STF fixou tese limitando o alcance do foro privilegiado conforme o artigo 102, inciso I, alínea ‘b’ da Constituição Federal. Essa limitação visava coibir o uso político do foro e promover maior celeridade processual.
No entanto, a decisão da ministra Cármen Lúcia foi tomada sem menção direta a essa jurisprudência, fragilizando o valor do precedente judicial no sistema jurídico brasileiro.
Riscos à Segurança Jurídica e ao Princípio da Estabilidade
A ausência de uniformização e de colegialidade nas decisões do STF tem gerado perplexidade entre operadores do Direito. A forma como os ministros vêm decidindo questões semelhantes de forma isolada e, por vezes, contraditória, atinge diretamente diversos princípios constitucionais, como:
- Segurança jurídica;
- Estabilidade jurisprudencial;
- Isonomia;
- Legalidade e devido processo legal.
A Responsabilidade Institucional do STF
Espera-se que a Suprema Corte assuma postura coerente e previsível, respeitando sua própria jurisprudência vinculante. A descontinuidade interna fere o artigo 926 do Código de Processo Civil, que impõe aos tribunais o dever de manter a estabilidade, integridade e coerência jurisprudencial.
Implicações para a Advocacia Criminal e Contenciosa
Em processos que envolvem autoridades com prerrogativa de foro, a oscilação do STF dificulta a definição de estratégias pelas defesas técnicas. A advocacia precisa se adaptar a cenários jurídicos cada vez mais incertos, inclusive sob risco de nulidades processuais futuras.
Além disso, os advogados que acompanham casos de autoridades públicas devem considerar cuidadosamente os riscos de remessa e redistribuição de feitos — muitas vezes com implicações na prescrição penal e na validade de provas.
Perspectiva de Reformulação Legislativa
Diante dessa instabilidade, volta ao debate a proposta de uma reforma constitucional para rediscutir os contornos do foro por prerrogativa de função. Parte do Parlamento ensaia reações, tendo em vista que a jurisprudência oscilante do STF não oferece o conforto institucional necessário ao Estado Democrático de Direito.
Enquanto isso, a advocacia criminal permanece atenta e armada de doutrina e jurisprudência para pleitear garantias fundamentais como o juiz natural, contraditório pleno e devido processo legal.
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Por Memória Forense




