Cooperação Interinstitucional Revoluciona a Efetividade na Execução Fiscal
A tradição cartorial e burocrática da execução fiscal brasileira tem encontrado resistência frente à crescente inefetividade no adimplemento dos créditos tributários. O modelo solitário, desgarrado das potencialidades institucionais, dá sinais de esgotamento, abrindo espaço para uma nova lógica de atuação coordenada, sistêmica e colaborativa entre os órgãos da administração pública e o Judiciário. Trata-se da institucionalização de uma verdadeira mentalidade cooperativa no âmbito da cobrança judicial.
O Novo Paradigma: Cooperação como Política Institucional
Conforme destacado na recente publicação do Conjur, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vêm fomentando práticas que solidificam o papel da cooperação como política pública voltada à otimização do processo executivo fiscal. O Projeto Estratégico “Coopera” integra diversos tribunais e órgãos fazendários com o objetivo de qualificar as execuções e promover ativações automatizadas de medidas executivas eficientes.
Base Normativa: Fundamentos Jurídicos da Colaboração
Importante ressaltar que essa mudança de paradigma se ancora em diversos dispositivos do Código de Processo Civil de 2015. Destacam-se:
- Art. 6º: que consagra o dever de cooperação entre as partes e o juízo, buscando a obtenção de decisões justas, efetivas e tempestivas.
- Art. 139, IV: confere ao juiz o poder de determinar medidas coercitivas necessárias ao cumprimento de ordens judiciais.
- Art. 805: impõe a utilização do meio menos gravoso para satisfazer o crédito.
Tecnologia e Integração: A Nova Inteligência Fiscal
O avanço digital é outro pilar desta transformação. O uso estratégico das ferramentas de rastreamento patrimonial como o Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud), o Infojud, o Renajud e o Serasajud têm reformulado a relação entre tempo e efetividade dos atos executórios. Os convênios de interoperabilidade de dados entre Receita Federal, Bacen, Tribunais e Procuradorias são exemplos concretos desse novo ecossistema colaborativo.
Eficiência sem Prejuízo às Garantias do Devedor
Não se trata de uma ânsia arrecadatória desenfreada. Ao contrário, a perspectiva é garantir a eficiência da execução fiscal respeitando o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório (art. 5º, incisos LIV e LV da CF/88). O filtro da razoabilidade e da proporcionalidade vem orientando as medidas executórias, fortalecendo o respeito aos direitos fundamentais.
Jurisprudência e Tendência Judicial
Os tribunais têm reconhecido a validade dessas práticas cooperativas. Destaca-se o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no REsp 1.00.384/SP, onde ratificou a possibilidade de compartilhamento de dados entre entes públicos desde que asseguradas as garantias legais. Ainda, a jurisprudência vem solidificando o entendimento de que a execução fiscal deve primar pela celeridade com equilíbrio.
Importância Estratégica para Escritórios e Advogados
Para a advocacia, especialmente os profissionais que atuam na seara tributária e empresarial, compreender esta nova lógica de atuação do fisco torna-se indispensável tanto na defesa de contribuintes quanto na orientação preventiva de clientes. Dominar o uso das ferramentas tecnológicas, os convênios interinstitucionais e as possibilidades de acordos no âmbito das execuções pode significar vantagem competitiva.
Conclusão
O panorama revela que a execução fiscal eficiente não será uma conquista solitária do Judiciário ou do Fisco, mas sim resultado da inteligência coletiva, da comunicação fluida e da ação integrada das instituições. A cooperação deixou de ser um conceito vago para tornar-se diretriz organizacional e vetor prático de transformação.
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Assinado: Memória Forense



