Erro na interposição recursal pode ser corrigido a tempo, diz STJ
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) trouxe importante decisão jurisprudencial ao reconhecer que a interposição de recurso manifestamente incabível não impede a parte de apresentar o recurso adequado dentro do prazo legal. A decisão amplia a efetividade da garantia do contraditório e da ampla defesa, pilares constitucionais inscritos no artigo 5º, incisos LIV e LV, da Constituição Federal.
Recurso inadmissível e a estratégia processual: uma análise jurídica
O caso analisado envolvia uma parte que interpôs, de forma equivocada, embargos de declaração em face de acórdão que não possuía omissão, obscuridade ou contradição, resultando assim em sua inadmissibilidade. Com a rejeição, a parte opôs o recurso cabível – agravo interno – ainda dentro do prazo legal de 15 dias úteis previsto no artigo 1.021 do Código de Processo Civil (CPC).
A controvérsia girava em torno da tempestividade do segundo recurso após a interposição do primeiro, indevido. A relatora, Ministra Nancy Andrighi, entendeu que, inexistindo erro grosseiro e não havendo má-fé processual, deve-se admitir a fungibilidade recursal, permitindo a substituição do instrumento jurídico desde que dentro do prazo final e que o recorrente não tenha agido de má-fé.
Princípio da fungibilidade recursal e segurança jurídica
De acordo com o artigo 1.024, §3º do CPC, a fungibilidade recursal é admitida quando há dúvida objetiva, sem má-fé manifesta e sem prejuízo à outra parte. No julgamento em análise, a Terceira Turma reforçou jurisprudência consolidada no sentido de preservar a ordem jurídica e a isonomia processual através da análise ponderada de erros formais.
Esse entendimento é especialmente relevante para os profissionais do Direito que enfrentam prazos exíguos e complexidades recursais. Reconhecer que um equívoco na escolha do tipo de recurso pode ser corrigido sem prejuízo da parte é um avanço na concretização do direito ao duplo grau de jurisdição, conforme assegurado pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
Decisão do STJ preserva direitos fundamentais processuais
A decisão é paradigmática pois reafirma a importância do controle de admissibilidade recursal ser realizado de maneira compatível com os princípios constitucionais. A justa análise da boa-fé objetiva e da intenção processual do recorrente concede maior racionalidade à prestação jurisdicional e garante que não se torne uma armadilha forma para os jurisdicionados.
Em tempos de reforma estrutural do processo civil e de busca contínua por celeridade e eficiência jurisdicional, a postura do STJ caminha no sentido de harmonizar a forma e o conteúdo jurídico dos atos processuais, impedindo que formalismos excessivos se sobreponham à realização da justiça material.
Impactos na advocacia e recomendações práticas
- Evite recurso indevido por meio de análise cautelosa do cabimento recursal conforme o tipo de decisão atacada.
- Monitore os prazos em dobro com atenção, considerando inclusive o encerramento do prazo de eventual recurso substitutivo.
- Documente os atos processuais com clareza, justificando possíveis equívocos de forma para fortalecer a boa-fé objetiva.
- Consulte regularmente a jurisprudência dos tribunais superiores para alinhar sua prática à orientação predominante.
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