Judiciário Condena Banco por Negar Pausas Legais a Trabalhadora
Em uma decisão emblemática proferida pela 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST), uma instituição bancária de grande porte foi condenada a indenizar uma ex-funcionária pelo descumprimento das normas legais que asseguram pausas intrajornada. O caso expõe, mais uma vez, a urgência do cumprimento rigoroso da legislação laboral, especialmente em se tratando de categorias submetidas a forte pressão operacional, como é o setor bancário.
Violação do Art. 71 da CLT e da NR-17
O cerne da controvérsia jurídica gira em torno da mora patronal no provimento das pausas previstas no artigo 71 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e nas Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho, em especial a NR-17, que trata sobre a ergonomia. Ao rechaçar os argumentos defensivos da instituição ré, os ministros convalidaram a tese de que a supressão reiterada dessas pausas configura dano moral, ensejando reparação.
Ato Ilícito e Responsabilidade Civil do Empregador
Conforme estabelece o artigo 186 do Código Civil, combinado com o artigo 927 do mesmo diploma, a prática de ato ilícito — no caso, a omissão no cumprimento da obrigação legal — gera dever de indenizar. A jurisprudência consolidada do TST vem se alinhando à ideia de que o dano moral é presumido em situações de violação de direitos fundamentais do trabalhador, especialmente no que tange à saúde física e mental.
Precedentes Jurisprudenciais Reforçam Entendimento
A decisão da 6ª Turma segue o entendimento já firmado no IAC-442-60.2015.5.04.0000, em que o TST reconheceu que a não observância de intervalos geram presunção de prejuízo à saúde e ao bem-estar do trabalhador, o que sustenta a aferição de dano moral in re ipsa. Este julgado marcou importante virada jurisprudencial no trato da dignidade da pessoa humana nas relações laborais.
Valores e Critérios de Indenização
O valor a ser pago a título de compensação foi fixado considerando-se critérios como a frequência da violação, a capacidade econômica do ofensor e a extensão do dano, conforme parâmetros da recomendação 169 da OIT e da Súmula 291 do TST.
- Ausência de pausas entre jornadas no atendimento presencial;
- Ambiente de trabalho sujeito a estresse constante;
- Descumprimento reiterado de normas da CLT;
- Desrespeito ao princípio da dignidade da pessoa humana.
Implicações para a advocacia empresarial
Este julgamento reforça a responsabilidade do corpo jurídico das empresas em revisar práticas trabalhistas que tenham o potencial de infringir direitos trabalhistas assegurados pela legislação e convenções da OIT. Recomenda-se a imediata adequação dos mecanismos de controle de pausas, especialmente em atividades repetitivas e de atendimento ao público. O risco de ações coletivas ou individuais com pleitos indenizatórios cresce diante desse novo panorama jurisprudencial.
Conclusão
O acórdão ora analisado evidencia a crescente atenção do Judiciário à proteção da saúde do trabalhador, impondo aos empregadores um rígido controle sobre o ambiente laboral. A sensibilidade jurídica nessa seara é fundamental para evitar passivos trabalhistas vultosos e danos reputacionais irreparáveis.
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Por Memória Forense



