Disputa societária aquece ambiente empresarial com impugnação de assembleias entre Marfrig e BRF
Conflito entre acionistas minoritários e majoritários levanta questões jurídicas cruciais
O ambiente empresarial brasileiro foi surpreendido nesta semana por um embate societário de grandes proporções: acionistas minoritários entraram com um pedido na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para suspensão das assembleias que visavam discutir a aquisição da BRF pela Marfrig. O episódio reacende discussões profundas sobre governança corporativa, direito dos minoritários e os limites da atuação dos controladores em operações de concentração.
Fundamentos legais do pedido de suspensão
Os minoritários alegam que a operação está sendo conduzida com vícios formais e substantivos, infringindo dispositivos basilares da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/76), especialmente os artigos 115 e 117, que regulam os limites do exercício do voto e a proibição de abuso de poder. Segundo os requerentes, há violação do princípio da transparência e do direito à informação, fundamentos essenciais da boa-fé objetiva na seara societária.
- Art. 115: Veda o exercício de direito de voto com finalidade lesiva aos interesses da companhia.
- Art. 117: Proíbe o abuso de poder de controle pelo acionista majoritário.
O papel da CVM diante do impasse
Como órgão regulador do mercado de capitais, a CVM deverá analisar se há indícios de que a assembleia não servirá aos interesses da companhia como um todo. A suspensão das assembleias pode ser justificada como medida cautelar para evitar prejuízos de difícil reparação, proporcional aos riscos inerentes à eventual consolidação da operação sem o contraditório devido.
Jurisprudência relevante
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reforça o entendimento de que o interesse social deve prevalecer frente ao interesse particular de acionistas (REsp 1.197.929/SP). Além disso, há precedentes administrativos como o Parecer de Orientação da CVM nº 35, que regula operações entre partes relacionadas e oferece parâmetros interpretativos sobre essas situações.
O impacto no mercado e na modelagem de operações societárias
Essa movimentação contenciosa tende a repercutir fortemente nos conselhos jurídicos de empresas e bancos de investimento, alterando a forma como futuras fusões e incorporações são estruturadas. Advogados especializados deverão redobrar a atenção à redação dos editais de convocação e ao cumprimento de requisitos formais, sob pena de questionamentos administrativos e judiciais.
Entre os riscos jurídicos evidenciados estão:
- Suspensão judicial da eficácia de assembleias já realizadas.
- Responsabilização de administradores e conselheiros.
- Imposições corretivas da CVM, como aplicação de multas e penalidades.
O precedente pode redefinir práticas de governança
É inegável que este caso poderá se tornar um precedente paradigmático sobre o dever fiduciário dos controladores e a efetividade dos mecanismos de proteção aos minoritários. A atuação estratégica dos escritórios de advocacia empresarial será determinante na contenção de litígios e na estruturação segura de operações de M&A de grande porte.
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