STJ Delibera Limites da Abordagem Pessoal Sem Mandado
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisão recente, trouxe importantes contornos à legalidade das abordagens pessoais realizadas pela autoridade policial com base em denúncias anônimas. A decisão, relatada pela Sexta Turma da Corte, reacende debates intensos sobre os limites constitucionais da interceptação pessoal em ambientes públicos, mormente em função do equilíbrio entre os direitos fundamentais à intimidade, liberdade de locomoção e a atuação preventiva do Estado.
Denúncia Anônima e Abordagem: Presunção ou Arbitrário?
O cerne da discussão judicial girou em torno da possibilidade de revista pessoal baseada exclusivamente em denúncia não identificada, ainda que esta contenha informações específicas. Conforme destacou o relator, ministro Rogerio Schietti Cruz, o simples recebimento de denúncia sem averiguação prévia e sem fundadas razões estabelecidas pelo artigo 244 do Código de Processo Penal (CPP) não autoriza a realização de busca pessoal.
O dispositivo legal exige que haja fundada suspeita de que a pessoa esteja portando consigo armas proibidas ou objetos ilícitos, fundamento que não pode ser satisfeito apenas com alegações genéricas derivadas de fontes não identificadas. A decisão do STJ, portanto, reafirma que:
- A abordagem policial exige critérios objetivos e diligências prévias;
- As denúncias anônimas devem ser embasadas por outros elementos que confirmem sua veracidade;
- Revista pessoal só será legítima se houver suspeita concreta e justificável.
Constitucionalidade e Garantias Individuais
Para além da interpretação legal, a decisão traz reflexos constitucionais relevantes. A proteção contra revistas indevidas se ancora em princípios do artigo 5º da Constituição Federal, dentre eles:
- Inciso II – “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”;
- Inciso X – inviolabilidade da intimidade, vida privada, honra e imagem;
- Inciso XI – “a casa é asilo inviolável do indivíduo, nela ninguém podendo penetrar sem consentimento do morador.”
Jurisprudência Relevante
Em consonância com decisões anteriores, como o HC 598.051/SP e RHC 137.376/SP, o STJ vem reforçando a tendência jurisprudencial em prol da inconstitucionalidade das abordagens desproporcionais e desprovidas de razoabilidade. A decisão representa uma evolução na proteção processual penal do indivíduo e delimita com mais clareza a fronteira entre interesse de segurança pública e garantias fundamentais.
Repercussão para a Advocacia Criminal
A decisão oferece instrumentos robustos para teses defensivas na seara penal, sobretudo em casos de prisões em flagrante questionáveis. O uso estratégico da jurisprudência do STJ poderá ser elemento chave na invalidação de provas obtidas por meios considerados ilegítimos.
A advocacia criminal deve, portanto, reforçar os pedidos de nulidade com base na ausência de justa causa para abordagens, colocando em xeque a legalidade do flagrante e eventual condenação decorrente.
Conclusão
A Corte reafirma que a legalidade de revistas pessoais deve ser analisada com rigor constitucional. O mero recebimento de denúncia anônima, ainda que detalhada, precisa ser acompanhado de diligências concretas e suspeitas plausíveis, sob pena de violar direitos individuais e ensejar nulidade processual.
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Por Memória Forense




