STF volta ao Plenário Virtual para decidir sobre multas em obrigações acessórias
Após acirradas discussões e indeferimentos anteriores no Plenário Físico, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu retomar no Plenário Virtual o julgamento referente à penalidade imposta por descumprimento de obrigação acessória tributária. Trata-se de discussão de impacto sobre a constitucionalidade da multa tributária fixada de maneira automática pelo não cumprimento de obrigações que não envolvem diretamente o pagamento de tributos.
Contexto Judicial e Implicações Tributárias
O processo em questão gira em torno da fixação de multa de 100% do valor do tributo, aplicada na esfera estadual de forma automática, em decorrência de obrigações acessórias supostamente descumpridas. Avulta-se em contradição direta com os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e devido processo legal – garantias previstas nos artigos 5º, incisos II e LIV, da Constituição Federal.
Ao reencaminhar o julgamento para o Plenário Virtual, o Ministro Gilmar Mendes busca destravar a deliberação, que anteriormente fora retirada de pauta após pedido de destaque formulado pelo Ministro Alexandre de Moraes. A matéria havia dividido o colegiado, gerando insegurança jurídica e reações incisivas da advocacia empresarial.
Avaliação do Relator e Divergências Internas
O voto do relator, Ministro Gilmar Mendes, assenta na inconstitucionalidade da penalidade automática, considerando que o sistema sancionatório tributário não deve assumir caráter confiscatório, nem tampouco cercear a ampla defesa prevista no art. 5º, LV da CF. Em seu entendimento, a mera ausência de entrega de declarações fiscais não justifica autuações severas sem processo administrativo que respeite o contraditório.
No entanto, parte do colegiado enxerga a tipificação da infração como válida nos termos do art. 113, §2º e §3º do Código Tributário Nacional — que diferencia obrigações principais das acessórias e concede à Fazenda Pública certo poder-dever fiscalizatório.
O que está em jogo na jurisprudência
- Definição do limite constitucional para aplicação de penalidades tributárias.
- Fixação de precedentes vinculantes sobre multas por obrigações acessórias.
- Segurança jurídica para empresas e contribuintes perante a administração tributária.
Movimentação na advocacia e cenário nacional
Entidades representativas como o Conselho Federal da OAB e o Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBDT) manifestaram preocupações quanto ao uso desproporcional do aparato sancionatório estatal. A controvérsia sobre as multas de obrigações acessórias é recorrente nas cortes, e os tribunais superiores vêm sendo chamados a modular seus efeitos a partir da Repercussão Geral do tema.
Assim, o julgamento ressurge no Plenário Virtual como tentativa de homogeneizar decisões conflitantes nos tribunais locais e evitar jurisprudência pulverizada que penalize indistintamente os contribuintes, inclusive aqueles em boa-fé que incorreram em meros erros formais.
Ponto de atenção para os advogados tributaristas
Este julgamento representa mais um capítulo da eterna luta entre o poder arrecadador e os direitos constitucionais dos contribuintes. Advogados tributaristas devem acompanhar com atenção os desdobramentos, pois da decisão pode emanar nova diretriz sobre a validade das autuações fiscais em massa baseadas em obrigações acessórias. Há ainda o potencial de modulação de efeitos com impacto direto nos contenciosos judiciais e administrativos em curso.
Caso o Supremo acolha o voto do relator, firmando tese no sentido de que as referidas multas atentam contra o princípio da proporcionalidade e devem ser afastadas, novas ondas de contestações e anulações de autos de infração poderão ser iniciadas.
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Publicado por Memória Forense




