STF Mantém Suspensão de Dividendos por Empresas Devedoras
Em recente desdobramento jurídico relevante para o setor empresarial e para a comunidade jurídica em geral, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, mais uma vez, suspender a análise do caso que envolve a distribuição de dividendos por empresas em débito com o fisco. A decisão, proferida no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7408, repercute diretamente na interpretação constitucional acerca da liberdade empresarial versus o interesse público de arrecadação tributária.
Contextualização do Julgamento
O questionamento versa sobre a validade do artigo 16 da Lei 14.789/2023, que proíbe expressamente a distribuição de lucros ou dividendos por empresas optantes do chamado Programa Litígio Zero enquanto estiverem em débito com a Receita Federal ou com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), salvo se garantidos ou parcelados.
A União defende a constitucionalidade da norma como instrumento de coerção legítima e de proteção dos cofres públicos. Por outro lado, há forte resistência por parte do setor privado, que sustenta afronta à livre iniciativa e à função social da empresa, princípios consagrados nos artigos 170 e 173 da Constituição Federal.
Posicionamento do Relator e Divergências
O relator da matéria, Ministro Cristiano Zanin, sustenta que a medida não viola a Constituição. Para ele, a restrição apenas condiciona um benefício financeiro à regularidade fiscal, sem impor sanção ilegal ou arbitrária. Entretanto, a Ministra Cármen Lúcia divergiu, argumentando que a norma excede os limites da razoabilidade e compromete a autonomia empresarial sem proporcionalidade adequada.
Repercussões Jurídicas da Suspensão
A suspensão constante do julgamento — agora adiada devido a pedido de vista do Ministro Luiz Fux — gera insegurança jurídica, impactando diretamente na elaboração de balanços empresariais, no planejamento tributário e nas estratégias societárias.
A questão envolve também aspectos processuais relevantes, especialmente em relação à constitucionalidade de normas que interferem em atividades privadas legítimas. Jurisprudências anteriores, como o RE 574.706 (Tema 69), que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, revelam a sensibilidade do STF à interferência estatal na seara tributária com repercussão econômica ampla.
Implicações Práticas para Empresas e Advogados
Advogadas e advogados que atuam com direito societário e tributário devem atentar-se à possibilidade de aumento na judicialização de casos parecidos, com ações para defesa da liberdade de distribuição de lucros. Importante observar a compatibilidade de tais normas restritivas com os princípios do contraditório e da ampla defesa (CF, art. 5°, LV), sobretudo em face da ausência de trânsito em julgado de eventual débito.
Especialistas destacam ainda o risco de comprometimento de investimentos estrangeiros, diante da imprevisibilidade normativa e da tributação excessiva atrelada à instabilidade institucional.
Próximos Passos da Corte
Com o julgamento ainda em aberto, os holofotes permanecem sobre o STF, que precisará equilibrar os interesses arrecadatórios do Estado com os direitos constitucionais das empresas. A tendência é que o tema retorne à pauta nos próximos meses, exigindo atenção e preparo dos profissionais jurídicos envolvidos direta ou indiretamente com a temática.
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Assinado por Memória Forense



