Feriado Estadual de Corpus Christi no RJ é Contestado no STF
Na mais recente movimentação jurídica que envolve o calendário litúrgico e os limites da competência legislativa estadual, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ingressou com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7639) no Supremo Tribunal Federal, visando questionar a validade da Lei 10.100/23, do Estado do Rio de Janeiro, que instituiu o dia de Corpus Christi como feriado estadual.
Fundamentos Constitucionais da Ação
De acordo com a CNC, a norma estadual ofende preceitos da Constituição Federal, notadamente o artigo 22, inciso I, que confere competência privativa à União para legislar sobre direito do trabalho — incluindo a fixação de feriados — e o artigo 5º, inciso VI, ao mencionar a laicidade do Estado. A entidade argumenta que a fixação de um feriado de cunho eminentemente religioso viola o princípio da separação entre Estado e religião.
Prejuízo Econômico e Argumento da Competência
A entidade pondera ainda os danos econômicos no setor produtivo e comercial em consequência do aumento no número de feriados. Menciona-se, por analogia, decisões como a do RE 580.963 (Tema 385 da Repercussão Geral), nas quais o STF já se debruçou sobre a competência de entes locais quanto à criação de feriados civis e religiosos, reforçando a necessidade de respeito aos limites constitucionais.
Tramitação da ADI e Relatoria
O ministro Gilmar Mendes é o relator do caso no STF. A ADI foi ajuizada em 9 de novembro de 2023 e, até o momento, ainda não houve deliberação sobre a concessão de medida cautelar. A urgência no exame da liminar é destacada pela CNC, considerando-se os impactos imediatos nos calendários empresariais e trabalhistas do estado fluminense.
Interpretação Jurisprudencial Relevante
- ADI 4373/DF: Reconhecimento dos limites da competência estadual para legislar sobre temas de natureza trabalhista.
- RE 580.963 (Tema 385): Discussão sobre feriados religiosos e a compatibilidade com a laicidade estatal.
- Súmula Vinculante nº 38: Somente a União pode legislar sobre direito do trabalho.
Equilíbrio Entre Direitos Religiosos e Interesse Público
O caso também abre margem para uma discussão mais ampla: até onde vai a autonomia dos estados em prestar homenagens a tradições religiosas dentro do calendário oficial sem que isso represente violação à laicidade constitucional? E qual é o equilíbrio ideal entre manifestação cultural/religiosa e os efeitos práticos no setor produtivo?
A jurisprudência do STF tende a observar com cautela a criação indiscriminada de feriados locais, notadamente quando podem impactar de forma significativa as obrigações contratuais e a produtividade econômica.
Essa ADI representa mais um importante precedente para o contencioso federativo, afetando diretamente empresas, trabalhadores, órgãos públicos e entidades religiosas. O julgamento deve servir como baliza para os demais entes federados que pretendam instituir feriados vinculados ao calendário litúrgico nacional.
A Memória Forense continuará acompanhando o desfecho desta relevante matéria constitucional, que reforça a importância da interpretação sistemática da Carta Magna diante de alterações legislativas locais.
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