Inteligência Artificial e Reputação: Nova Era no Direito Digital
A crescente influência dos algoritmos de inteligência artificial na avaliação da reputação jurídica de profissionais e instituições está transformando silenciosamente o pilar da confiança no ambiente digital. A publicação recente da ConJur intitulada “A reputação jurídica virou jogo de máquinas” suscita reflexões profundas e estruturais sobre o papel desses sistemas na administração da justiça e a responsabilização legal que deles decorre.
O Impacto Algorítmico nas Relações Jurídicas
O uso de máquinas para definir reputações jurídicas implica potenciais violações a direitos fundamentais como a honra, a imagem e a privacidade, previstos nos artigos 5º, incisos X e XXXIII da Constituição Federal. Além disso, há uma zona cinzenta jurídica em torno da responsabilização por danos decorrentes de algoritmos, como descrita no Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/14), especialmente em seus artigos 7º e 19.
Reputação Digital: Mérito ou Risco?
Plataformas automatizadas analisam artigos publicados, opiniões emitidas por pares e tribunais, além de dados estatísticos para compor “perfis reputacionais”. Essa prática, embora teoricamente neutra, pode embutir vieses intrínsecos, criando círculos de reforço e favorecimentos indevidos. Jurisprudência do STJ já alertou sobre efeitos irreversíveis causados por algoritmos nos danos morais, como no REsp 1.660.168/RS.
Legitimidade e Oportunidade de Defesa
O cerne da controvérsia reside na ausência de contraditório e ampla defesa (art. 5º, LV da CF) para aqueles afetados por avaliações algorítmicas. Um ranqueamento digital negativo pode não apenas limitar a atuação profissional, mas configurar prejuízo patrimonial e violação à dignidade da pessoa humana.
O Papel dos Advogados e Instituições Jurídicas
Advogados devem estar atentos ao uso indiscriminado dessas tecnologias, exigindo transparência dos critérios adotados, conforme os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/18), como finalidade, necessidade e não discriminação. O artigo 20 da referida legislação prevê o direito de revisão de decisões automatizadas, o que pode ser uma potente ferramenta jurídica para questionar avaliações reputacionais injustas.
- Transparência algorítmica como princípio jurídico emergente;
- Precedentes judiciais que reafirmam o direito à explicação;
- Riscos de responsabilização civil de empresas mantenedoras de plataformas analíticas.
É urgente que os órgãos da Justiça, entidades de classe e conselhos profissionais se posicionem com firmeza na regulamentação do monitoramento e avaliação de reputações digitais, sob pena de se instituir um novo tipo de controle social automatizado e opaco.
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Por Memória Forense



