Setor Financeiro sob Pressão: Reforma Tributária Traz Novo Cenário Jurídico-Fiscal
Com a promulgação da Emenda Constitucional da Reforma Tributária, notadamente a EC 132/2023, o setor financeiro brasileiro se vê diante de um novo paradigma jurídico-tributário. Embora ancorada na promessa de simplificação e eficiência, a efetiva regulamentação da nova ordem tributária ainda caminha de forma tímida, deixando lacunas significativas quanto às bases de cálculo, neutralidade intertemporal e segurança jurídica.
Direito Tributário em Xeque: O Que Muda para o Setor Bancário?
Nos termos da EC 132/2023, institui-se o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em substituição ao regime atual que envolve ISS, ICMS, PIS e Cofins. No entanto, para o setor bancário, cuja natureza é eminentemente distinta das atividades comerciais ordinárias, a falta de regulamentação específica gera inúmeras dúvidas.
A ausência de definição clara da base de cálculo desses novos tributos para atividades financeiras, especialmente crédito, seguros e serviços de intermediação, pode incidir em conflitos relacionados ao princípio da capacidade contributiva (art. 145, §1º, da Constituição Federal) e à proibição de confisco (art. 150, IV, CF).
Impacto Prático e Jurídico: Empresas Financeiras em Alerta
Enquanto a alíquota padrão do sistema dual se aproxima de 26%, segundo estimativas do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF), a tarifação do setor financeiro pode vir a ser ainda superior, dada a menor elasticidade de deduções de crédito pelas instituições.
Tributar ‘tarifas bancárias’ enquanto se discute a natureza jurídica dessas receitas pode acarretar conflitos quanto à bitributação e à caracterização de receitas financeiras. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1230957/SP) já enfrenta essa controvérsia sob o regime atual.
Simplificação ou Insegurança? A Armadilha Jurídica da Transição
A previsão é que a nova sistemática entre em vigor de forma escalonada até 2033. Durante esse período, uma sobreposição de regimes tornará a apuração de tributos ainda mais complexa, sujeitando as empresas financeiras a interpretações divergentes e maior contingência fiscal.
- Falta de clareza normativa na transição;
- Potencial majoração tributária;
- Insegurança sobre aproveitamento de créditos acumulados;
- Judicialização massiva esperada na definição da base de cálculo para serviços financeiros.
Riscos Constitucionais e a Omissão Regulamentar
A omissão normativa pode dar ensejo à propositura de ações declaratórias de inconstitucionalidade por omissão (ADO), nos termos do art. 103, §2º da CF, tendo em vista que a indefinição compromete a eficácia plena das normas constitucionais introduzidas.
A ausência de definição adequada também afronta o princípio da anterioridade (art. 150, III, CF), uma vez que o contribuinte não poderá planejar suas obrigações fiscais com segurança.
Caminho Jurídico: O Que Fazer Agora?
Diante das incertezas, tanto jurídicas quanto operacionais, é recomendável que instituições financeiras:
- Constituam grupos de trabalho para mapeamento de impacto fiscal;
- Acompanhem consultas públicas e participem de audiências técnicas;
- Analisem preventivamente possíveis Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs);
- Mobilizem pareceres técnicos sobre a adequação de suas receitas ao novo modelo de tributação.
Esse é um importante momento de advocacia preventiva. O papel do advogado tributário, nesse contexto, torna-se ainda mais crucial no tocante à interpretação constitucional e na antecipação de litígios.
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Por Memória Forense



