Movimento Jurídico Inédito Promove Debate Nacional Sobre Eutanásia
Foi lançada oficialmente no Brasil, em agosto de 2025, a primeira associação jurídica em defesa da legalização da eutanásia, intitulada Associação Nacional pela Dignidade do Fim da Vida (ANDIFV). A entidade é composta majoritariamente por advogados, juristas, médicos e especialistas bioeticistas, com o objetivo manifesto de fomentar o debate legislativo e constitucional sobre a autodeterminação individual em sua expressão mais extrema: o direito de decidir quando e como morrer.
Um Marco para o Direito Constitucional e Bioético
Na ausência de regulamentação específica no ordenamento jurídico brasileiro, a prática da eutanásia é enquadrada atualmente como crime pelo Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/40), podendo ser interpretada como homicídio privilegiado (art. 121, §1º), cuja pena é reduzida, mas ainda vigente. Essa realidade, segundo representantes da nova associação, contraria princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III da CF/88) e o direito à liberdade (art. 5º, caput).
Em sua nota inaugural, a ANDIFV destacou que “a ausência de um marco legal expõe tanto pacientes quanto profissionais de saúde a riscos jurídicos, e impede o exercício efetivo da autonomia pessoal em situações extremas de sofrimento”.
Desafios Jurídicos e Jurisprudência Comparada
Uma das frentes de atuação da ANDIFV será a proposição de ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs) e arguições de descumprimento de preceito fundamental (ADPFs), visando provocar o Supremo Tribunal Federal a discutir a compatibilidade do banimento da eutanásia com os princípios da Carta Magna.
Além disso, serão utilizados paradigmas de direito comparado, a exemplo de legislações de países como Holanda, Bélgica, Canadá e Espanha, onde a prática é regulamentada sob critérios rigorosos, envolvendo avaliação médica, psicológica e consentimento expresso.
O Papel do Advogado na Nova Frente Ético-Jurídica
O engajamento da classe advocatícia nesta pauta sinaliza o amadurecimento da política de direitos fundamentais no Brasil. Especialistas do Instituto Brasileiro de Biodireito (IBB) apontam que o papel do advogado transcende o litígio, sendo fundamental na construção de pontes institucionais para a proteção de direitos personalíssimos, como o direito à morte digna.
Segundo a professora e constitucionalista Carla Porto, “o desafio colocado não é negar a vida, mas debater o que significa viver com dignidade em face de enfermidades irreversíveis. Estamos diante de um novo campo para atuação jurídica, que exigirá formação ética e sensibilidade argumentativa”.
Educação Jurídica e a Urgência do Debate
A associação também pretende divulgar relatórios, realizar congressos e fomentar a inclusão da eutanásia no debate acadêmico-jurídico. O objetivo é capacitar operadores do direito, juízes e promotores a atuarem com discernimento em eventuais casos judiciais que envolvam a decisão de interromper tratamentos de prolongamento artificial da vida.
- Participação em audiências públicas no Congresso Nacional;
- Produção de pareceres técnicos e memoriais jurídicos;
- Criação de núcleos regionais para apoio aos familiares e médicos.
O tema ganha contornos ainda mais sensíveis diante dos avanços da medicina paliativa e da crescente judicialização dos direitos existenciais no país. Juristas experientes apontam que o momento é propício para rediscutir os limites do poder estatal sobre a autonomia corporal do indivíduo.
Um Nova Era na Tutela dos Direitos Existenciais
Estamos diante de um marco fundacional jurídico que poderá alterar significativamente a forma como a sociedade brasileira encara o fim da vida. O envolvimento da advocacia organizada representa não apenas um amadurecimento institucional, mas também uma convocação ética para os profissionais do direito: refletir, formular e defender o direito à dignidade até o último instante.
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Artigo assinado por Memória Forense.




