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EUA aplicam tarifa adicional de 12,5% ao Brasil por práticas comerciais

Administração Trump recomenda imposição adicional de 12,5% sobre exportações brasileiras em investigação sobre trabalho forçado; outras nações também afetadas.

JOTA4 min de leitura
EUA aplicam tarifa adicional de 12,5% ao Brasil por práticas comerciais
Foto: Barrett Ward / Unsplash

A administração estadunidense formalizou recomendação de imposição de tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, com base em alegação de práticas comerciais consideradas "irracionais" e prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos. A medida integra investigação conduzida pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) conforme a Seção 301, que examina mercadorias supostamente produzidas com trabalho forçado importadas pelo país norte-americano. Trata-se de um agravamento das pressões tarifárias, visto que apenas um dia antes a administração Trump havia anunciado possível taxação de 25% sobre exportações brasileiras.

Contexto

A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos Estados Unidos autoriza o governo americano a investigar e impor retaliações comerciais contra países que adotem práticas comerciais consideradas injustas ou discriminatórias. Historicamente, esse mecanismo tem sido acionado em controvérsias sobre propriedade intelectual, subsídios e, mais recentemente, questões trabalhistas e de direitos humanos associadas às cadeias de suprimento global.

A presente investigação centra-se especificamente na adequação das medidas adotadas por parceiros comerciais para impedir a importação de bens produzidos mediante trabalho forçado. O fundamento jurídico repousa na Seção 307 do Tariff Act de 1930, que proíbe a importação de mercadorias produzidas, no todo ou em parte, com trabalho forçado ou obrigatório. A alegação norte-americana é de que nações parceiras não têm aplicado essas restrições com rigor suficiente, criando desequilíbrio competitivo que prejudica trabalhadores americanos.

O que foi decidido

O relatório preliminar divulgado pelo USTR recomenda a imposição de tarifa adicional de 12,5% sobre produtos originários do Brasil, China, Japão, Índia, Coreia do Sul, Suíça e dezenas de outras nações. A justificativa oficial aponta-se para o fracasso desses países em combater adequadamente a importação de bens produzidos com trabalho forçado. Paralelamente, Canadá, México, Taiwan, Reino Unido e outros países e territórios enfrentariam taxação adicional de 10%, sob a alegação de que não aplicaram de forma apropriada as proibições existentes.

Importante observar que essas medidas ainda não entraram em vigor e permanecerão sujeitas a consulta pública e revisão, com audiências públicas agendadas para iniciar em 7 de julho. Essa fase de revisão abre espaço para manifestação de stakeholders afetados, incluindo governo brasileiro, exportadores, importadores americanos e grupos de interesse.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, qualificou como "inaceitável" o fracasso dos principais parceiros comerciais do país em enfrentar a importação de bens produzidos sob trabalho forçado, argumentando que tal situação compele trabalhadores americanos a competirem em condições desiguais no mercado global.

Base normativa e precedentes

  • Seção 301, Lei de Comércio de 1974 (19 U.S.C. § 2411) — Autoriza o USTR a investigar práticas comerciais consideradas injustas ou discriminatórias e impor retaliações tarifárias
  • Seção 307, Tariff Act de 1930 (19 U.S.C. § 1307) — Proíbe importação de mercadorias produzidas, no todo ou em parte, com trabalho forçado ou obrigatório
  • Força de Trabalho Moderna (Uyghur Forced Labor Prevention Act — UFLPA) — Lei de 2021 que presume trabalho forçado em produtos originários de determinadas regiões da China; complementa investigação Seção 301
  • Acordos comerciais bilaterais e regionais existentes — Vários dos países listados mantêm acordos com os EUA desde 2024, porém a investigação Seção 301 pode aplicar tarifas a despeito de tais compromissos preexistentes, revelando possível conflito entre marcos regulatórios

Impacto prático

Para exportadores brasileiros: Incidência de tarifa adicional de 12,5% elevaria o custo de produtos exportados, reduzindo competitividade nos mercados americanos e potencialmente resultando em perda de market share ou necessidade de repasse de custos ao importador norte-americano. Setores como agronegócio, minérios e manufatura leve seriam particularmente afetados.

Para importadores americanos: Produtos importados do Brasil sofreriam encarecimento, elevando custos de bens de consumo final e insumos industriais, com potencial impacto inflacionário doméstico.

Para negociadores comerciais: A medida ocorre a despeito de acordos comerciais preexistentes, sinalizando que o governo americano prioriza investigações trabalhistas sobre compromissos tarifários formalizados, criando incerteza sobre estabilidade de marcos contratuais.

Para advogados de comércio internacional: Surge demanda por análise de cadeias de suprimento, documentação de conformidade trabalhista e estratégias de mitigação tarifária (redesenho de rotas comerciais, sourcing alternativo, busca de isenções ou revisão de classificação fiscal).

O que observar

O processo não se encerra com a recomendação preliminar. A fase de consulta pública (até 7 de julho para início de audiências) é crítica: eventuais argumentações técnicas sobre conformidade trabalhista, impacto econômico desproporcional ou inconsistência regulatória podem influenciar a decisão final do USTR.

Obs: A investigação Seção 301 não é vinculada a acordo da OMC (Organização Mundial do Comércio) no mesmo grau que tarifas anti-dumping ou compensatórias, ampliando margem discricionária norte-americana, ainda que exposta a desafios contenciosos na OMC.

Nota-se também a justaposição de duas pressões tarifárias (os 25% anteriores + os 12,5% atuais) em prazo curtíssimo, sugerindo estratégia de negociação sob pressão intensificada. Governo brasileiro e setor privado devem preparar memorandos técnicos para audiências públicas nos EUA, destacando conformidade trabalhista e impacto econômico bilateral.

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