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Promotor mantém acusação contra Jairinho e Monique no caso Henry Borel

Ministério Público reafirma tese de homicídio com caracterização psicológica dos acusados em alegações finais do julgamento.

Folha — Cotidiano4 min de leitura
Promotor mantém acusação contra Jairinho e Monique no caso Henry Borel
Foto: Nigel SB Photography / Unsplash

O Ministério Público reafirmou formalmente a acusação contra o padrasto Jairo de Souza e a mãe Monique Medeiros durante as alegações finais do julgamento relativo à morte da criança Henry Borel, ocorrido em 2021. O promotor Fábio Vieira manteve a denúncia original e, em sua intervenção, caracterizou o padrasto como "psicopata severo" e a mãe como portadora de traços narcisistas, fornecendo ao tribunal análises comportamentais dos acusados como fundamento para a responsabilização penal.

Contexto

O caso de Henry Borel é um dos crimes contra criança mais relevantes da jurisprudência carioca recente. O menino faleceu em março de 2021, aos 4 anos de idade, no Rio de Janeiro. A investigação inicial apontou envolvimento direto ou por omissão dos dois principais acusados — o padrasto e a mãe — na morte da criança. A narrativa acusatória construída ao longo da instrução penal baseou-se em evidência de maus-tratos, lesões antecedentes e falta de providências médicas adequadas. O julgamento passou por diversas fases de análise de provas, incluindo perícias médico-legais, testemunhas e documentação de comparecimentos em instituições de saúde. A fase de alegações finais marca o momento em que as partes — Ministério Público, defesa e querelante — apresentam seus argumentos sintetizados antes da prolação da sentença.

O que foi decidido

O promotor Fábio Vieira não reformulou a acusação original, mas consolidou-a durante as alegações finais do julgamento. Manteve intacta a denúncia contra Jairinho (Jairo de Souza) e Monique Medeiros. Além da argumentação jurídica sobre tipicidade e autoria, o representante do Ministério Público incorporou ao discurso acusatório uma caracterização psicológica dos denunciados, designando o padrasto como portador de traços de psicopatia em nível severo e a mãe como narcisista. Esta estratégia retórica, embora frequente em casos de morte de menores, inscreve-se numa linha argumentativa que busca demonstrar não apenas os fatos materiais (lesões, omissão de socorro, negligência), mas também o perfil comportamental dos acusados como contexto que reforça a culpabilidade e a intenção ou consciente negligência.

Base normativa e precedentes

  • Art. 121, caput, Código Penal — tipificação do homicídio simples; ainda vigente quando do evento (2021), aplicável sob regime de legalidade penal estrita.
  • Art. 224, Código Penal — majoração da pena em homicídios qualificados por circunstâncias que demonstrem especial crueldade ou perversidade, frequentemente invocada em crimes contra menores.
  • Art. 213, Código Penal — omissão de socorro, delito autônomo que pode ser concorrente ou subsidiário em contextos de morte.
  • Lei 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente) — norma protetiva que ampara direitos fundamentais da criança e responsabiliza os responsáveis legais por abandono material, moral e negligência.
  • Jurisprudência do TJRJ — em casos similares de morte de menores sob custódia, consolidou-se o entendimento de que a omissão dos responsáveis legais face a sinais evidentes de maus-tratos configura, no mínimo, homicídio culposo majorado, quando não homicídio doloso indireto.

Impacto prático

A reafirmação da acusação na fase de alegações finais vincula os argumentos que o tribunal de julgamento (juiz ou julgadores colegiados, conforme o caso) deverá examinar na fundamentação da sentença. Os efeitos práticos incluem:

  • Para a defesa: a consolidação da tese acusatória exige uma resposta argumentativa precisa nas contrarrazoações, focando em fragilidades probatórias específicas ou negação de autoria e dolo.
  • Para a vítima e familiares: o discurso acusatório que enfatiza o perfil psicológico dos acusados reforça simbolicamente a gravidade do ilícito e a responsabilidade individual.
  • Para o tribunal: a caracterização comportamental pode influenciar não apenas a condenação, mas também a fixação da pena, já que elementos subjetivos (intenção, perversidade) frequentemente justificam aplicação de penas superiores nos marcos legais.
  • Para a jurisprudência penal sobre crimes contra crianças: o caso consolida precedente de que análises psicológicas e comportamentais, quando lastreadas em provas, são admissíveis e relevantes na construção da narrativa de responsabilidade penal em contextos de morte sob omissão dos responsáveis.

O que observar

A fase de alegações finais não é a sentença, mas seu antecedente direto. Aguarda-se agora a manifestação da defesa e, se houver, do querelante. Após encerramento das alegações finais de todos os interessados, o tribunal prolará a sentença, momento em que a caracterização psicológica oferecida pelo promotor será ou não validada pelo julgador mediante fundamentação específica. Outra questão relevante diz respeito ao uso de laudos periciais psicológicos ou psiquiátricos no processo: caso tenham sido produzidos, sua adequação técnica e conformidade com as normas de prova penal (direito ao contraditório e ampla defesa) devem ser escrutinadas. Por fim, eventual condenação será passível de recurso de apelação, no qual as partes poderão rediscutir tanto a suficiência probatória quanto a caracterização psicológica dos acusados e sua relevância jurídica para a configuração do delito.

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